domingo, 18 de abril de 2010

Amor demais mata o amor. Me matei e você nem sabe.

Teria tentado me matar hoje. Mas não valeria a pena. Não me matar, claro, mas a tentativa. Não ia conseguir de qualquer maneira e convenhamos que passamos da idade de atos desesperados. Levantei da cadeira, então, resolvi olhar pela janela e me pareceu tudo tão forçado, desde o azul do céu até a minha cortina vermelho sangue, isso me irritou um pouco. Hora do almoço num dia de domingo chegou a ser insuportável, talvez tenha sido por isso que tenha saído correndo da mesa. Mas dane-se. O mais importante agora é que eu não tenho sentido saudade, nem de você, nem de mim e nada, daí eu comecei a desistir um pouco das coisas, fui abrindo mão do curso, das pessoas e até mesmo, de tirar meu pijama nesse dia de domingo, por que não? Claro que nada tem a ver com você, a culpa é minha. Escuto isso todos os dias e mesmo que não fosse, assumiria pela repetição. É, eu desisto da vida, da merda de curso, o que mais mesmo que ela disse? Ah, da porcaria de pessoa que sou. Estou com anorexia, roubo namorado dos outros, não faço porra nenhuma e não tenho muito coração, o que mais ela precisa supor pra me entender? Acho que nada. Ainda que essas não sejam minha condições, eu quero assumir, quero pra talvez fazer sentido na natureza do outro, enquanto não me sinto natural em lugar algum. A maneira que me vejo e tenho sido não está funcionando. Não posso nem pedir ajuda, os que me amavam foram os primeiros a pular do barco, estão melhor agora sozinhos, de qualquer maneira, eu só queria forças pra levantar amanhã, mas acho que me doei um pouco demais. De qualquer maneira, não me sobrou muito. Quase nada. Até mesmo, nada. Sério, vai embora, eu estou mais insuportável do que nunca e imagino até o que vai me dizer, não quero ouvir mais que 'eu preciso', 'tenho que', nada disso, então não diga, vai embora, eu me reconstituo qualquer hora dessas a partir daqui. Os cacos vão ficar no chão, talvez eu levante e comece a junta-los, agora não dá, não venha tentar me animar, me aninhar, se quiser, deita no chão gélido comigo, me chama, me puxa mais pra perto, mas só permito gestos, palavras estão terminantemente proibidas, talvez até te mate se abrir a boca. Enquanto você não estava, apareceu outra pessoa, com significado totalmente diferente, claro, foi alguma coisa boba meio correspondida e juro que não fantasiei dessa vez, mas não foi suficiente, eu me encantei demais. Estou encantada até agora e as situações deixaram de acontecer um pouco. Mas o que importa? Eu não o vejo mais e nem pretendo, ainda que voltasse. Só sinto falta do que ficou por acontecer, e muita falta. Fiquei bêbada por esses dias, irreconhencivel, você diria e foi horrivel, falei o que não devia apesar de ser verdade e fiz o que me era conveniente, mas foi horrivel, porque eu quis ser outra coisa que não eu mesma. Até consegui, num nivel insuportável, mas consegui. Ninguém tem nada com isso também. Tenho sentido decepção também. Estava tão bem, há duas semanas eu tive a sensação de liberdade, me senti feliz mesmo quando conheci aquela pessoa diferente de tudo que eu já tinha visto, tão lindo por fora e por dentro, lindo mesmo, ainda que não percebesse nada disso, até hoje não descobri seus defeitos, duas manias terriveis talvez, mas defeitos incorrigiveis não, nem mesmo o encantamento me proporciona isso, é dele mesmo. Queria poder ser mais pra ele do que sou agora. E ele sumiu. Não quero retomar esse assunto mais. A carta não chegou, ou chegou e me esconderam ao inves de dizer na minha cara que é preciso viver no mundo certo, estou de saco cheio das pessoas, não tenho vontade de comer, me desinteressei por aprender coisas novas, tenho voltado a noite para casa só pra dormir e  mesmo assim, mandaram eu sair de casa caso não esteja gostando, vou sair daqui uns dias, talvez, se o clima continuar insuportável, estou com uma vontade terrivel de chorar, mas não quero consolo. Andei pensando que se eu fizesse o contrário, fosse suja que nem o mundo, doasse a carne primeiro antes da alma, acredito que as coisas seriam mais faceis, eu aprenderia mais rápido, teria endurecido mais, não sei, sendo assim todos os outros parecem tão felizes, tão mais agradaveis. Fiz promessas que não vou cumprir, menti sobre coisas realmente importantes, desonrei pai e mãe, cometi alguns dos pecados capitais, arranjei outros deuses além do meu, usei inutilmente o dia de domingo e desacreditei no inferno, estarei jogada nos próximos dias a um acontecimento qualquer esperando absolutamente nada além do que perdi. Mas como você disse mesmo? Que ia ficar tudo bem...Agora sei que Amor demais mata o amor. Me matei e você nem sabe.

"Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia." Nietzsche

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